Interview by Despina Dimotsi. EDIÇÃO 2, VERÃO 2026

Lampros Kalfuntzos é um ator grego radicado no Reino Unido. Nascido em Atenas e criado em Larissa, desde cedo demonstrou grande interesse pelo cinema e pela narrativa visual. Ao longo de sua carreira, integrou produções internacionais de destaque, como Mission: Impossible – Fallout, Mission: Impossible – Dead Reckoning Part One, Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, Mamma Mia! Here We Go Again, além da aclamada série The Crown.

Além de sua carreira como ator, também atua nas áreas de design visual e fotografia, o que contribui para uma compreensão mais aprofundada da linguagem cinematográfica e da construção narrativa. No Reino Unido, concluiu um mestrado (Master of Arts) em Multimedia Design, Graphics e 3D Digital Design. Sua pesquisa acadêmica concentrou-se na linguagem e na filosofia da narrativa visual, com dissertação baseada no filme The Matrix.

DD: Ao lhe dar as boas-vindas à nossa revista, gostaríamos de saber: desde quando você se lembra de querer trabalhar com cinema e atuação? Quais filmes na sua infância te inspiraram?

LK: Desde muito jovem, senti uma forte atração pela imagem e pela narrativa. Crescendo na Grécia, sempre tive a necessidade de criar — seja através do desenho ou de imagens que contam histórias. O cinema surgiu como uma evolução natural dessa necessidade. Filmes como The Matrix me influenciaram profundamente, não apenas esteticamente, mas também filosoficamente. Eles me fizeram enxergar a imagem como um poderoso meio de expressão, e não apenas como entretenimento.

DD: O que você considera mais desafiador: a imagem estática da fotografia ou o movimento presente no cinema?

LK: A fotografia e o cinema são duas formas diferentes de narrativa. A fotografia congela um momento — é preciso condensar emoção e história em um único quadro. Já o cinema é fluxo, evolução e duração. Pessoalmente, considero o movimento mais desafiador, pois exige consistência na atuação, ritmo e continuidade emocional. Ainda assim, uma fotografia forte pode ser igualmente impactante.

DD: A escala das produções americanas é enorme. Como você se sentiu ao participar de projetos tão grandes? Gostaríamos que falasse sobre suas emoções e também sobre algo que o público não vê, mas que você vivenciou intensamente.

LK: Estar em grandes produções é uma mistura de entusiasmo e responsabilidade. Por um lado, você faz parte de algo muito maior do que você; por outro, percebe que cada detalhe importa. Em projetos como Mission: Impossible e outras produções internacionais, vivenciei um ambiente onde tudo funciona com extrema precisão e altos padrões. O que o público não vê é a intensidade da preparação — horas de trabalho, repetições e concentração para poucos segundos em tela. É uma experiência que realmente molda você como profissional.

DD: Com quais grandes atores você trabalhou mais de perto? O que te impressionou na personalidade e na dedicação deles?

LK: Tive a oportunidade de trabalhar e observar de perto atores excepcionais em produções internacionais, como Tom Cruise, Johnny Depp, Dwayne “The Rock” Johnson, Jason Sudeikis, Matt Damon e Daniel Craig. O que mais me impressionou não foi apenas o talento, mas a disciplina e a dedicação aos detalhes. Cada um traz uma energia única ao set, mas todos compartilham algo em comum — total comprometimento com o trabalho. Grandes atores abordam cada cena com foco e profissionalismo. Trabalham incansavelmente, testam, repetem e nunca se acomodam — mesmo já tendo alcançado o topo. O “resultado perfeito” que vemos na tela é sempre fruto de muito trabalho, consistência e respeito por toda a equipe.

DD: Você também participou de produções históricas como The Crown. Considerando as diferenças culturais e de sotaque, como foi essa experiência?

LK: The Crown é uma produção de altíssimo nível, onde a precisão em todos os aspectos é essencial — desde a linguagem até o comportamento dos personagens. O maior desafio foi adaptar-se ao sotaque britânico e ao estilo da época. Foi necessário mergulhar completamente em um universo cultural diferente e representá-lo com autenticidade. Um detalhe interessante é que inicialmente eu não havia sido escolhido para o papel que acabei interpretando. No entanto, durante o processo, devido à minha presença e imagem, a produção redefiniu o papel — algo que mostra o quanto a identidade e a energia de um ator podem influenciar um projeto.

DD: Tendo estudado Digital Design e efeitos visuais, isso te ajudou como ator?

LK: Meu background em digital design e efeitos visuais influenciou bastante a forma como abordo a atuação. Tenho uma compreensão mais profunda de enquadramento, luz e composição, o que me permite atuar com mais consciência dentro da cena e colaborar melhor com o diretor e a equipe.

DD: Se tivesse que escolher um grande projeto de design digital como destaque, qual seria e por quê?

LK: Um dos projetos mais marcantes para mim foi a colaboração com a Ralph Lauren, uma marca com identidade forte e estética atemporal. O desafio foi manter a elegância e a clareza da marca, ao mesmo tempo em que integrava uma abordagem digital mais contemporânea. Trabalhei em conceitos visuais que combinavam estética de moda com storytelling, com foco em detalhe, luz e composição. O que torna esse projeto especial é que não foi apenas design — foi uma experiência que me aproximou da essência do branding de luxo e de como a imagem pode transmitir emoção, identidade e valor.

DD: Nos últimos anos, a Grécia tem evoluído no cinema e na TV. Qual sua opinião sobre isso?

LK: Nos últimos anos, a Grécia tem mostrado uma evolução muito forte no cinema e na televisão. Há uma nova geração de criadores que ousa, experimenta e eleva o nível. Diretores como Yorgos Lanthimos já abriram caminho internacionalmente, trazendo uma identidade cinematográfica única. Também admiro muito Sotiris Tsafoulias, cuja abordagem narrativa me inspira bastante. A diversidade dessas vozes é o que dá força ao cinema grego contemporâneo.

DD: Onde podemos te encontrar trabalhando atualmente e o que podemos esperar de você no futuro? Existe interesse na direção?

LK: Neste momento, meu foco está claramente na atuação e no desenvolvimento da minha carreira como ator em produções internacionais, especialmente em papéis mais desafiadores de ação e drama. Ao mesmo tempo, tenho interesse em participar de produções gregas que elevem o nível do cinema contemporâneo. Um dos próximos projetos é o filme Endless Summer, no qual interpreto o policial Officer Lambert — um papel que me permitirá explorar mais profundamente a complexidade e a tensão interna do personagem. Paralelamente, tenho grande interesse pela linguagem visual do cinema — fotografia e design gráfico — áreas que se conectam diretamente com meu background em visual design e storytelling. Quero evoluir ainda mais nesse campo, idealmente combinando fotografia com cinema e criando narrativas visuais.

Από ermag

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